É certo que toda a gente acha ter uma cabeça muito completa, intelectualoidemente dizendo, complexa e que contraditoriamente se afirma como descontraído e prático.
Um contra-senso comum e óbvio. Se fossemos rigorosamente sinceros não conseguiríamos de forma alguma poupar os demais á real exteriorização da nossa personalizada maneira de ver as coisas, verbalmente transmitido ao contrário, como sendo o normal, o simples e o prático que só o individuo que o diz o realmente pensa. Chamemos lhe um equilíbrio entre o sabido e o dito como necessário para o bem de todos.
Traduzindo isto, será como dizer que nos iludimos consciente e propositadamente de que somos todos uns tranquilos, exteriorizando que os outros é que complicam tudo. Ora é este tudo dos outros que é primo do tudo de nós próprios mas, que no fundo a personalização dá origem á recepção da informação de forma complicada e o envio entendido pelo próprio emissor como sendo de forma simples.
Ora, a minha reaparecida opinião é, de que nada é assim tão complicado, mas simplesmente personalizado e ora existe a capacidade de compreensão de dados ou não, e consequentemente existe a capacidade e vontade de aceitação dessa mesma informação ou não.
Único não significa tranquilo por ser unilateral, já que é transmissível e por isso pode revolucionar, e personalizado não significa anormal, até porque a normalidade daria muito a decidir pela imposição necessária e natural do termo…. A palavra seria pessoal. E já que não existe ninguém igual mas semelhante, a palavra diferença é a salvação, e não a praga da individualidade necessária, para que seja possível viver e não mecanizar, impedindo que a vida se torne um caminho demasiado recto, aborrecido e frio, ou um beco sem outras possibilidades de saída e percursos diferentes a tomar, dando graciosa ou abruptamente a uma coisa que se chama opção!
Tudo se resume ao palato que cada um tem estipulado por defeito, até ao preciso momento de lidar com o choque de condimentos que contém uma visão deslocada da nossa rota habitual de especiarias de pensamento.
Neste caso só temos duas formas básicas e práticas de lidar com os arrepios: ou se enriquece o nosso sistema de variedade de temperos nem que seja com o objectivo de complementar o livro de receitas que já vem da bisavó, ou simplesmente nos mantemos no cómodo e básico conceito de ser receptivo a cozidos e grelhados e cordialmente dito quando aparentemente não se gosta do que se nos põe no prato, alérgico a receber no estômago tudo que não se parece com o básico ovo a cavalo!
E por falar em cavalos deixemo-nos de ser burros! É verdade que a opção de aceitar ou não visões e pensamentos pode ser realmente gerida de uma forma bipolar simples e sem grandes regras de etiqueta mas, o problema passa apenas pela falta de vontade e capacidade de inalar um cheiro raro e provar o cozinhado de ideias que nos apresentam, chegando ao ponto de análise que é o mastigar!
E as opiniões devem estar sempre próximas deste ritual antes de se dizer que não se gosta, porque enquanto está no prato não temos o direito de arrotar a postas de pescada que ainda não provámos! Só depois de se mastigar é que se sabe o que se está a provar. Só depois então, é que uma visão diferente toma a forma de bolo, que em comunhão com o palato de cada um permite que decidamos que se come ou se cospe!
E quem nunca engoliu um sapo? A estes valentes peço que reconsiderem sobre enjoos inoportunos, já que devem acontecer antes de se empanturrarem com o sapo e não dizerem que já não têm estômago para aguentar sequer o cheiro de um prato que não conhecem o sabor, já que espaço haveria sempre se o pobre estômago não estivesse dependente da boca do idiota!
Cada um tem o direito de comer o que quer, mas igualmente aceitar que existem outras formas de cozinhar!